7 de julho de 2011

tudo bem

Tinha tantas dores pelo corpo que se sentia confusa: não queria sequer pensar em nada, mas a cabeça estava a mil com a decisão que tomara naquele dia. Sentiu uma angústia por não ter conseguido, naquele dia mesmo, resolver tudo e colocar um ponto final naquela novela que parecia não ter fim. Depois de muitas horas de trabalho, antagonicamente, ainda tinha vontade de escrever. Mas não conseguiu. Prometeu a si mesma que o faria no dia seguinte.

Deitou na cama e sentiu um aperto no peito. Ao mesmo tempo, uma suave voz soprou em teu ouvido. "Vai ficar tudo bem", ela ouviu. Tinha vontade de chorar, mas agora os sentimentos se misturavam. A alegria começava a tomar conta daquele peito que tanto havia se angustiado nos últimos meses.

Uma lágrima escorreu de seus olhos e ela adormeceu com a certeza de que tudo ficaria bem. E ficou mesmo.

24 de junho de 2011

scream poetry

Joguinho bom para uma tarde preguiçosa... e que diz muito sobe mim.

Usando nomes de músicas apenas de um artista ou grupo, tente habilmente responder a essas perguntas. Você não pode usar a banda que eu usei. Tente não repetir um título da canção.


Minha vida de acordo com Os Paralamas do Sucesso

Você é um homem ou mulher: Uma brasileira
Descreva-se: Scream poetry
Como você se sente: Fora de lugar
Descreva o local onde você vive atualmente: Brasília 5:31
Se você pudesse ir a qualquer lugar, onde você iria? Brasil afora
Sua forma de transporte preferido? Por sempre andar
Seu melhor amigo: O palhaço
Você e seu melhor amigo são: Flores e espinhos
Qual é o clima: Mormaço
Hora do dia favorita: Esta tarde
Se sua vida fosse um programa de TV, seria chamado: Meu sonho
O que é vida para você: Hoje
Seu relacionamento: Amor em vão
Seu medo: Depois da queda o coice
Qual é o melhor conselho que você tem a dar: Esqueça o que te disseram sobre o amor
Pensamento do Dia: Seguindo estrelas
Meu lema: Vai valer

E pra fechar, o clipe deles que eu mais gosto:


21 de junho de 2011

então é isso.

Então é isso? Alguns dias, semanas, quase um mês depois. A tristeza virou raiva, que se transformou em decepção, com mais um pouco passou a ser indeferença e de repente se tornou... nada.

Porque tem horas que o coração cansa. Cansa de apanhar, cansa de tudo dar errado, cansa da própria dona. Cansa e diz "chega!". Chega de ser ignorado, chega de se enganar, de ser enganado, de se despedaçar. Aí a razão, em meio à reviravolta que incrivelmente acontece dentro do mesmo ser, se vê perdida e pergunta "como assim?".

Como assim o quê, cara pálida? É isso. Não tem o que entender. Se não era para acontecer, se não era para dar certo, pronto. Está resolvido. Não há motivo para ficar se lamentando. Esperar é a melhor saída. Esperar, esperar, esperar. Não aguento mais esperar! Até nos ônibus que demoravam passar eu dei um jeito - comprei um carro. Porque esperar? Não! Expectativas? Não! Servem apenas para idealizar projetos, coisas, pessoas. Principalmente pessoas. As mais perfeitas se mostram as que mais erram. As que parecem mais incríveis são as que mais machucam.

Cansei. Chega! Esperar. Não! Quero as coisas pra ontem. Quero tudo do meu jeito. O coração tá cansado, mas ainda assim fala mais alto. A razão está calejada, mas aos poucos entende que não dá pra ser do jeito que está. Pra onde correr? Como fugir? Sentimentos e pensamentos se misturam e dão tontura. Porque essa leveza, essa alegria? O peito respira aliviado enquanto a cabeça está a mil. Chega! Chega de pensar demais, esperar demais, tudo demais. The dog days are over.

Agora será assim. Assim como? Não sei. Mas será. E então... é isso? Então é isso.

12 de junho de 2011

e se?

E se eu quiser sair correndo, você vem comigo?
E se eu jogar tudo pro alto, você ajuda a não cair de volta sobre mim?
E se eu tropeçar, você me segura pela mão?
E se eu não quiser pensar em mais nada, você aceita ser meu único delírio?
E se nada disso valer a pena, você topa recomeçar?
E se... e se eu pensar que foi tudo uma mentira?

Você se arrisca a me provar o contrário?

23 de maio de 2011

Ama, espera e confia*

O amor tem me revelado muito de si mesmo em Bethânia. Das muitas facetas que dele aprendo a que tem mais me ensinado é a do amor feito espera. Aquele jeito de amar onde o amante é impotente diante das escolhas e decisões do amado. Sim! O verdadeiro amor é feito de espera silenciosa macerada na dor de quem é chamado a respeitar a liberdade do amado.

Explico-me. Quantas são as situações onde você, por mais que veja adiante, nada pode fazer? Quantas são as situações onde, se dependesse de você, tudo seria feito para evitar que o amado se machucasse ou se perdesse no caminho? Mas, eu e você sabemos por força do próprio amor, que situações existem em que você nada pode fazer. Resta-nos esperar. Espera silenciosa, dura, difícil como a do pai misericordioso que diante da decisão do filho que vai, se contenta em esperar na janela a hora do retorno. E o mais aterrador: Deus nos ama assim, pois sabe das tantas vezes em que contra sua vontade lhe dizemos não. Não há escapatória, compreender o amor feito espera é sinal de maturidade de quem ama.

[...]

O amor que amadurece está em aceitar a impotência de quem ama diante do amado que escolhe. O amor que cresce e floresce está em aceitar nossa suposta fraqueza. Sim! Pois é como nos sentimos: fracos. É como fracos, que ao amar visando o bem do amado, nos curvamos diante da liberdade de quem fez suas escolhas boas ou ruins. Fracos? Não! Fortes! Fortes porque nos tornamos capazes de esperar na janela da fé e da confiança. Isso também é escolha. Somos nossas escolhas e o resultado será de acordo com o que fizermos com as escolhas feitas.

Desejo a você um amor feito de escolhas. Desejo a você um amor feito de espera. Ame. Espere. Confie.


Texto escrito por Pe. Vicente, da comunidade Canção Nova, que tomei a liberdade de editar para não ficar muito extenso aqui no blog. Em uma semana de decisão e, consequentemente, muita ansiedade para mim, senti as palavras "espera e confia" logo depois do almoço e, procurando no google, me deparei com essa reflexão. E não é que ela me disse tudo o que eu precisava "ouvir" nesse comecinho de tarde de segunda-feira? Encaixou-se perfeitamente em várias coisas pelas quais estou passando. Para ler o original, clique aqui.

18 de maio de 2011

oração

Já estava indo dormir quando me deparei com esse vídeo no Facebook e, apesar de não ter o hábito de clicar no que postam por lá, fiquei curiosa pra assistir.

A banda mais bonita da cidade.
Que grata surpresa. Delicadeza é a palavra que mais define, pra mim, a primeira impressão desse grupo de Curitiba. Letra simples, mas linda. Melodia confortável e gostosa de ouvir. Parece uma caixinha de música pra tocar na cabeceira da cama enquanto a gente tenta pegar no sono. Mistura de Novos Baianos com O Teatro Mágico ou algo do tipo. Não sei se é a banda mais bonita da cidade, mas foi a coisa mais bonita da minha noite. Só ouvi uma música, mas com certeza ouvirei outras... e depois deixo minha impressão aqui.

Ler que a música e o clipe foram gravados ao mesmo tempo, em plano sequência (sem interrupções), me deixou ainda mais tocada. Vale a pena assistir.




10 de maio de 2011

mais uma mentira.

Não tinham o barulho do mar, mas a luz que saía dos postes ao redor do lago se refletia na água e dava um ar especial àquela noite. Já passava das três horas da manhã e os olhos dele brilhavam. Esperara mais de um ano por aquele momento. A sensação era de que uma década havia passado sem que se encontrassem, mas o reencontro não teve formalismos de pessoas que há muito não se vêem. Tentaram mudar, mas eram os mesmos um para o outro.

A maquiagem dela estava um pouco borrada, mas para ele não importava. Estavam ali, sentados na beira da água, havia cerca de cinco horas e o tempo passara como se tivessem acabado de se reencontrar. Ela havia tirado a sapatilha dos pés e vez em quando pincelava a água doce com os dedos. Sequer sentiram que o frio aumentou com o cair da madrugada. O casaco dele a cobria e o braço direito a envolvia como se fossem feitos um para o outro. E eram mesmo, sempre que estavam juntos.

Ela relutou até o último instante para que este momento não se repetisse, mas a insistência dele e os últimos acontecimentos na sua vida a deixaram deprimida. Precisava de algo diferente. Aquele encontro não seria diferente, e ela sabia disso. Queria acreditar no contrário, não conseguia. Mas saiu de casa mesmo assim.

O beijo era o mesmo. Igualmente perfeito aos demais, desde o primeiro inesperado em uma manhã de junho, quase dois anos antes. A conversa era tão agradável quanto nos primeiros meses, com a exceção do receio dela, que agora era ainda maior. O tempo todo ela se perguntava porque tinha cedido. Mais uma vez. Perdera a conta de quanto já havia dito não, e sido convencida do contrário. Havia muita sintonia entre os dois e ela simplesmente não conseguia entender porque não ficavam juntos de vez. Ambos queriam e não queriam ao mesmo tempo.

Assistiram ao nascer do sol e passaram aquela manhã juntos, no apartamento dele em um condomínio a alguns quilômetros daquele lago. Quem olhasse de fora diria que eram recém-casados ou namorados apaixonados que não conseguem se desgrudar. Mas não gostavam dos rótulos dos relacionamentos. Separaram-se pensando que poderiam tornar aquilo rotina. Mas não, não podiam. Quando estavam juntos, tudo era muito real. Mas não passava de uma realidade que nunca sairia de seus sonhos. Despediram-se leves e tranquilos, porém tristes. Ela seguiu para casa ouvindo música no último volume e ele correra para tormar um banho e se encontrar com a noiva, que já havia ligado algumas vezes perguntando porque estava atrasado para o almoço de família.

Naquela noite de domingo, dormiram e tiveram sonhos ao mesmo tempo tão reais e tão distantes. Ele, procurando uma forma de se desprender da vida de mentiras. Ela, esperando se prender a alguém para viver de verdades.

24 de abril de 2011

insônia

23h52. O sono, que há algumas semanas se transformou em companhia constante, é praticamente insuportável. Vem acompanhado de um sentimento que ela não consegue descrever. Vinha, nesse mesmo período, tentando desvendar o que se passava por aquela cabeça. Desânimo. Não conseguia pensar em dormir para, dali a sete horas, levantar da cama e recomeçar a rotina massante.

0h14. Ainda acordada, ela se pergunta porque está cansada. Do quê está cansada? Tudo provoca ânsia. Sente vontade de levantar, pegar o telefone e ligar para alguém. Quer apenas desabafar. Mas não entederiam. Rotina. Ah, a rotina. Antes tão agradável, estimulante, se transformara em um calvário.

0h46. Já perdeu as contas de quantas vezes revirou na cama tentando agarrar o sono, ao mesmo tempo tão perto e tão inatingível. Os olhos ardem, o corpo dói. O coração dói. Ela precisa de ajuda. Não sabe quem procurar.

1h03. Em uma última tentativa, pega no sono. O corpo se desliga da realidade e mergulha no mais profundo descanso. Por pouco tempo. No sonho, vêm todas as angústias pelas quais ela passa durante o dia. Angústia. Palavra que ela jamais havia sentido com tanta intensidade.

3h56. Dor. A cabeça lateja como uma caixa de som do mais potente show de rock. Desperta em meio a mais uma crise. Enxaqueca. Não consegue discernir o que está acontecendo. Lágrimas saem involuntariamente de seus olhos e, enquanto escorrem pelo rosto, ela volta a si. Vai até a cozinha, bebe mais um copo de água acompanhado de um comprimido. Sabe que ele não será suficiente. Meia hora mais tarde, estará ali novamente, bebendo mais um copo de água, ingerindo mais um comprimido.

5h30. A dor não passara e ela, ainda com os olhos ardendo, não se desligou por um só instante. Olha fixamente para o teto, no escuro de seu quarto que começa a ser iluminado pela luz do dia, que já desponta do lado de fora. Pela cabeça passam apenas pensamentos vazios. Ela se pergunta no que sua vida se transformou. Imagina até quando durará o martírio. Procura uma saída. Não encontra.

6h19. Finalmente dorme. E dessa vez não tem sonhos. Não ouve os sons pela casa, onde as pessoas começam a se movimentar para começar mais um dia. Seu raro momento de descanço está ali, em pouco mais de uma hora de sono.

8h12. Sua mente começa, mais uma vez, a costurar uma história nada agradável e muito parecida com aquela que ela vinha vivendo nos últimos dias. A cabeça ainda dói e a faz acordar, ao mesmo tempo em que o interfone toca. Ela levanta de um salto, olha o relógio e percebe que já está atrasada. Precisa se apressar. Pressa. Com a cabeça embaixo da água fria, na esperança de aliviar a enxaqueca, sente que não tem forças para continuar. Mesmo assim, tenta seguir em frente, mais uma vez. Sai de casa e percebe que não era um pesadelo.

7 de abril de 2011

um desabafo no dia do jornalista...

Talvez o pior pesadelo de um jornalista seja ter que cobrir grandes tragédias. O problema não é a correria, ou o excesso de trabalho que certamente aparece quando acontecem essas coisas. Isso qualquer um que está em redação enfrenta, todos os dias. O mais difícil é ter que abrir mão do luto e criar uma "casca" para conseguir fazer as entrevistas, correr atrás da notícia. Pode ser bom para a carreira, pode dar uma visibilidade maior do que as reportagens do dia a dia. Mas eu duvido que algum jornalista consiga entrevistar uma criança apavorada ou uma mãe que chora sem sentir um aperto no peito. No meu caso, apenas ver pela internet, tv, rádio já é suficiente para chorar. Ter que escrever então...

Nesse dia do jornalista, ser jornalista no Brasil e em Brasília foi, e está sendo, muito difícil. Além de encarar o luto, tive a tristeza de ver amigos queridos dizendo tchau para uma redação que, querendo ou não, se torna nossa segunda casa com tantas horas extras, plantões, coberturas especiais... e por aí vai. Ver uma pessoa que dedicou 20 anos da vida dela àquele lugar indo embora sem mais nem menos não é fácil. Nessa hora o alento que serve para mim, e que falei a alguns deles hoje, é que um bom profissional não fica fora do mercado. Disso eu tenho certeza.

Esse texto não diz nem metade do turbilhão de coisas ruins que senti ao longo do dia. Hoje eu não sei dizer o que é ser jornalista. Lidar com a instabilidade e - pior - o desprestígio é uma coisa que eu não sei fazer. Acho que nesse dia a única coisa que posso desejar é mais respeito a essa profissão. Jornalista é humano, tem casa pra cuidar, filhos para criar. Respeito é o mínimo que poderiam receber essas pessoas que já levam muita pancada todos os dias.

Fé e força para as famílias e crianças do Rio. Boa sorte aos meus colegas, amigos, queridos. Minhas orações e minha torcida hoje se confundem e se concentram neles.

E que o 7 de abril nos próximos anos tenha motivos para querer viver essa profissão.



"Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
(Gabriel García Márquez)

22 de março de 2011

ausência presente

Ao som de Shakira na noite dessa terça-feira meio sem gracinha, comecei por algum motivo que não me lembro a vasculhar o blog da Dri, minha amiga-irmã que mora longe, mas está mais presente na minha vida do que muitos que eu vejo todos os dias. Somos muito diferentes em alguns pontos, e extremamente parecidas em outros, por isso sempre me deparo com algo que diz o que estou sentindo no momento. E hoje eu reli um dos textos dela que mais gostei. Taí um pedacinho:


Confesso: estou à espera do amor. Espera mesmo, não procura. Porque procura, para mim, é desespero, agonia, falta de esperança. E eu, definitivamente, espero. Já morri de raiva de todos os homens e disse que não queria mais gostar de nenhum. Mas, quando percebo, já estou olhando para os lados na rua, nas festas, em todo canto, perguntando se “ele” – o amor – pode estar por aí. Demoro mais a dormir e enrolo para levantar porque fico imaginando como ele é, do que gosta, onde está. Às vezes fico roteirizando nosso romance. Já temos uma rotina, sei aonde vamos, o que vamos assistir, que músicas vamos ouvir juntos. Tenho frases prontas para dizer a ele, abraços preparados para recebê-lo, segredos para contar.

Quando tenho problemas ou um dia difícil, procuro no celular o número dele para ligar e pedir colo. Quando sinto dor nas costas, fecho os olhos e o imagino me fazendo uma massagem. Quando como besteira ou fico sem comer, ouço ele me dar bronca, dizendo que tenho que me cuidar. Quando acordo, olho para o lado para vê-lo ali se espreguiçando. Mesmo sem existir de verdade, ele é uma ausência mais presente do que tudo o que existe.

Por Adriana Caitano em 22/6/2010